
O que aconteceu?
A Anvisa aprovou o Kyinsu, medicamento de aplicação semanal que combina insulina icodeca e semaglutida para tratar adultos com diabetes tipo 2. A novidade une dois mecanismos em uma única picada e promete melhorar a adesão ao tratamento no Brasil.
O registro do Kyinsu foi publicado no Diário Oficial da União em 28 de setembro de 2026. A Novo Nordisk recebeu a autorização, válida até setembro de 2036. Segundo a farmacêutica, o Brasil é um dos mercados prioritários, visto que o país ocupa a sexta posição mundial em número de casos da doença, afetando 16,6 milhões de adultos.
A formulação é a primeira do mundo a combinar uma insulina basal semanal com um agonista de GLP-1 semanal. O medicamento reúne esses dois princípios ativos usados no controle da glicose em uma única solução injetável. A aplicação é feita sob a pele (via subcutânea) na coxa, no braço ou no abdômen, apenas uma vez por semana.
Para pacientes em tratamentos intensivos, a mudança representa um salto na qualidade de vida. Quem hoje utiliza o esquema "basal-bolus" diário (que pode exigir até quatro injeções diárias de insulina) poderá reduzir a carga de 1.460 aplicações para apenas 52 injeções por ano —uma redução de 96% nas picadas, utilizando em média 58% menos insulina total.
Como o medicamento funciona
A insulina icodeca tem ação prolongada e foi desenvolvida para liberação lenta ao longo de sete dias. Ela cobre o controle glicêmico de fundo (basal), inclusive durante o sono e entre as refeições. A semaglutida atua de forma dependente da glicose, reforçando o controle nos picos após as refeições. Ela também interfere diretamente nos sinais de saciedade do cérebro, retardando o esvaziamento do estômago e auxiliando no controle do apetite.
O Kyinsu é indicado para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlados com insulina basal ou agonistas de GLP-1 isolados. A terapia deve ser associada a medicamentos antidiabéticos orais, além de hábitos.
Combate maiores medos dos pacientes: ganho de peso e hipoglicemia
Historicamente, cerca de metade dos pacientes que precisam iniciar o uso de insulina adia o tratamento por mais de dois anos devido ao receio de ganhar peso e de sofrer episódios de hipoglicemia (queda brusca do açúcar no sangue). Nos ensaios clínicos de fase 3 (programa COMBINE, que envolveu mais de 2.500 participantes), o Kyinsu demonstrou eficácia superior na redução da glicemia (HbA1c) comparado aos seus componentes isolados, além de promover perda de peso corporal e registrar uma taxa até 88% menor de episódios de hipoglicemia clinicamente significativa ou grave.
